
Algumas semanas atrás a bailarina e pesquisadora de dança Rose Akras esteve presente no Grupo 1ºAto a convite de Suely Machado. Na visita a artista trouxe para o Grupo novas pesquisas e questões sobre o corpo e a mente do bailarino-criador. Apesar de já morar em Amsterdam por algum tempo, atuando como bailarina e professora do departamento de Licenciatura na Faculdade de Dança, Rose Akras não perde seu contato com a arte e com os artistas do Brasil. A artista começou cedo sua relação com a dança, e aos 17anos iniciou sua profissionalização em escolas e instituições importantes como Rambert School of Ballet em Londres, além de cursos em NY. Fez parte da Cia José Limón, trabalhou com Célia Gouveia e fundou Grupo Marzipan com outros bailarinos. Teve grandes mestres como Maria Melo ( ballet/SP), Sonia Motta ( modeno/SP), Ruth Currier e Carla Maxwell ( Limón/NY), David Zambrano( flying low/Amsterdam), Trude Cone e Cathie Caraker ( Body Mind Centering e processos criativos em dança/AMS), Donald Fleming e Ria Higler ( improvisação/ AMS), Jacques van Eijden e inúmeros outros no Somatic Movement Training em Amsterdam.
Confira abaixo a entrevista que carinhosamente Rose Akras nos concedeu, falando um pouco mais sobre seu trabalho:
1ºAto: Conte sobre seu estudo dos Movimentos Somáticos.
Rose: Depois de descobrir tantas possibilidades novas através da mistura de linhas somáticas e aulas de dança, resolvi fazer o curso do Institute for Somatic Movement Studies. Acho uma pena só ter entrado em contato com estes caminhos no final da minha carreira como bailarina mas, sinto-me feliz de poder passar o que aprendi para os mais jovens. É ótimo ver que a turma de hoje já recebe estas informações mais cedo. O mais valioso que aprendi com somatics é que todo o corpo participa de nossos movimentos, não só músculos e ossos, mas também o estômago, intestino, fígado, fluidos etc. Aprendi também a ver a força da gravidade como uma aliada, e não uma inimiga, o que muda completamente o tônus da musculatura facilitando desde uma mudança brusca de planos (quedas) até um simples salto. Além disto, poder entender que a qualidade de movimento está ligada a maneira que utilizamos o corpo, sua anatomia e fisiologia, me trouxe dinâmicas novas que antes eram muito difíceis para meu corpo, pois tentava fazer tudo “ só” com a força muscular. Por último, através deste trabalho consegui perceber como mudar meu padrão de movimento e perceber o suporte interno (órgãos) para minha coluna e assim me livrar da dor e poder movimentar minha coluna com mais liberdade. Ou seja, tanto para a criatividade como para prevenção de problemas, acredito que o Movimento Somático só tem a acrescentar para qualquer pessoa que trabalhe com artes cênicas em geral.
1ºAto: Fale sobre a proposta do curso que você desenvolveu com o Grupo 1ºAto.
Rose: Bom, depois de muitos anos dando aulas sobre como usar a fisiologia e anatomia no movimento, comecei a pensar num curso mais voltado ao bailarino criador como indivíduo. Como poder ajudar este bailarino se reconhecer como tendo uma assinatura própria e posteriormente dar condições para que novos acentos apareçam nesta assinatura. Sem dúvida, é ótimo fazer estas aulas quando já se tem uma noção de movimento somático, mas pensei num curso que mesmo sem ter estas informações, qualquer bailarino pudesse fazer e crescer. Sem dúvida, existe um fundamento somático neste curso também, primeiro reconhecer e assumir (seus padrões ou qualidades de movimento), para depois acrescentar e transformar.
1ºAto: Quais são seus próximos planos. Nova criação, pesquisas, curso…
Rose: Na semana passada dei um workshop para estudantes de Arquitetura e paisagismo e foi muitíssimo interessante estar em contato com outras linguagens e ver qual seria a influência da minha aula no projeto que estes alunos tiveram de apresentar no fim do curso. Nesta semana, começam as aulas na faculdade de dança e darei também aulas para estudantes do curso de Teatro. Na semana que vem, estarei “ performando” no trabalho de um coreógrafo ( apesar dele ter estudado mímica), David Weber Krebs, que está sendo um processo interessante, estou aprendendo muito sobre como trabalhar com grandes grupos. Somos umas 50 pessoas em cena, muitos amadores e alguns profissionais no meio. Paralelamente a isto, continuo com planos de ficar um tempo no Brasil, gostaria de coreografar de novo para bailarino, faz tempo que não faço isto. Adoraria trabalhar com pessoas como vocês com tantas qualidades diferentes e interessantes. Quem sabe? Além de tudo isto, continuo me inteirando do mundo das Artes Plásticas, através de pessoas desta área que façam live performamce. Também muito interessante quando o corpo está presente, mas o movimento ou a narrativa não sejam o fundamento principal.
Por enquanto é isto, obrigada pela oportunidade!
Rose Akras
Nós que agradecemos, Rose, e muito!