Arquivo de agosto, 2008

Observação

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pois então, retornar em cartaz é sempre um desafio já que a tensão da estréia acalmou, já que ensaios e outras apresentações amaciaram os passos, já que a intenção cênica se aprimorou, já que o tempo da estréia se alargou. Por isso mesmo e por confirmar o trabalho do artista é que reaver um espetáculo pode trazer reflexões antes escorregadias embora marcantes. Isso aconteceu no meio deste mês de agosto quando da temporada de Beijo nos olhos… na alma… na carne, um espetáculo que estreei em 1999, meu primeiro no Grupo de uma série de 8 entre montagens e remontagens. O trabalho em repertório é importante para o deslocamento de ações estagnadas, uma vez que não permite o uso do mesmo corpo e das mesmas intenções antes utilizadas. Um corpo de 1999 não é o mesmo de um em 2008 para não falarmos de estrutura emocional, intencional, cênica, profissional. Pode parecer pouco, mas 9 anos de uma intensa agenda, de aulas e ensaios, de uma direção coerente, de terapias sem conta, de encontros, desencontros, reencontros propicia um olhar renovador em cima da obra. O desafio consiste em manter viva a proposta e ao mesmo tempo alimentá-la do frescor da idade alcançada, pois envelhecer pode não ser tão ruim assim. Hoje se vê uma procura tortuosa em estacionar o tempo, uma importância extrema com a aparência, com o enrijecer a pele, uma pele com o vigor alcançado pelas nossas escolhas. Observar essas questões, brincar em nossos desejos, apontar delicadezas foi o ponto de partida para proporcionarmos Geraldas e Avencas. Em 2007 estreamos, em 2008 retornamos. Os exatos 9 anos acima após Beijo…, tendo os dois espetáculos apresentações no mesmo mês, me faz reconfigurar um cenário de dança pouco visto atualmente, o do repertório em cartaz. Muito se faz pouco se conserva. Colocado o fato da busca frenética pelo vigor jovem, descartar rugas é descartar tempo. Pertinente as apresentações conjugadas quando se aposta em repertório, em valorizar a história. Portanto, Geraldas e Avencas retorna a Belo Horizonte para temporada no Teatro Sesiminas, juntamente com o lançamento em cd da trilha sonora original de Zeca Baleiro. 9 anos compartilho dos 20 anos de permanência.

 

Confira os horários na nossa agenda.

 

Por Alex Dias

 

 

 

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Do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, à praça pública de Itapecirica!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Em grandes palcos de tapete vermelho, de noite na praça, em palco aberto de frente para a lua, em palco apertado, dentro de ginásio, em escolas, no asfalto… Levar o trabalho do Grupo de Dança 1º Ato em diferentes cidades, é uma ótima forma de estar sempre renovando as histórias.

Nesta temporada de viajens com o “Geraldas e Avencas” uma coisa me ocorreu: devido aos vários tipos de palco (maiores, menores, profundos, inclinados, abertos, com mais ou menos coxias), em dia de espetáculo, eu e o bailarino Thiago Oliveira sempre temos que repassar a cena inicial e contar exatamente quantos passos teremos que dar. O trajeto, que constantemente repetimos, nos permite medir aproximadamente o tamanho de todos os palcos pelos quais passamos.  De repente me dei conta de que dessa forma fazemos o reconhecimento do local onde vamos trabalhar, arriscar, experimentar, DANÇAR.

Confira os lugares pelos quais passamos, do início do ano até agora:

  • Escola Municipal Hugo Werneck - Belo Horizonte / MG
  • 1° Ato Centro de Dança - Belo Horizonte / MG
  • Praça Floriano Peixoto - Belo Horizonte / MG
  • Praça Sete - Belo Horizonte / MG
  • Campanha de Popularização do Teatro e da Dança – Palácio das Artes - Belo Horizonte / MG
  • Centro Coreográfico - Rio de Janeiro / RJ
  • Área Externa do Centro de Cultura de Itaúna / MG
  • Grande Cassino de João Monlevade / MG
  • Sesc Pinheiros – São Paulo / SP
  • Sesc Rio Preto – São José do Rio Preto / SP
  • Teatro Municipal Rio de Janeiro / RJ
  • 34° Festival de Inverno de Itabira / MG - Teatro Carlos Drummond de Andrade
  • 14° Festival de Inverno de Itapecerica / MG - Praça da Matriz
  • Teatro Sesiminas - Belo Horizonte / MG

 Adorei! Como uma boa mineira desconfiada, como um animal à espreita, como um velho cauteloso ou um neném que começa a enxergar. Milhões de oportunidades, milhões de possibilidades, cores, cheiros, gostos. Quantas experiências… Quantas histórias pra contar.

Luciana Lanza

 

 

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1º Ato completa 20 anos com retrospectiva

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Por Sérgio Rodrigues Reis - Jornal Estado de Minas, caderno EM Cultura.

Aos 20 anos, o Grupo de Dança 1º Ato pode ser resumido a um ato de resistência. Ou melhor, de sobrevivência. “Foi preciso força além da natural para continuar, mas foi prazeroso também. Comparo a uma escolha de vida”, resume a diretora Suely Machado. Com performance peculiar nos palcos do país, a companhia conseguiu imprimir sua marca na dança nessas duas décadas: o gesto nasce do cotidiano, já as coreografias surgem em diálogo com outras manifestações, como o teatro, circo e artes plásticas, sempre inspiradas na experiência pessoal dos bailarinos. Não raras vezes eles assinam em processo colaborativo os espetáculos. A fase atual é de comemoração. Até o fim do ano, quatro dos grandes sucessos da companhia voltam à cena: Beijo nos olhos…na alma…na carne, Mundo perfumado, Geraldas e avencas e Isso aqui não é Gotham City. Cada um à sua maneira, ajuda a entender uma gramática gestual singular.

 

Leia a matéria completa aqui.

 

 

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Zeca fala sobre a trilha de Geraldas e Avencas

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Matéria retirada do O Globo on line/blogs, por Leonardo Lichote.

Zeca Baleiro: ‘Vivemos a era da aparência’

Prestes a lançar “O coração do homem-bomba” (seu primeiro CD de inéditas desde “Baladas do asfalto & outros blues”, de 2005), Zeca Baleiro solta um belo aperitivo para os fãs. Não me refiro a “Toca Raul”, faixa do próximo disco já disponível para download no site oficial do homem, e sim à “Geraldas e avencas”, trilha sonora do espetáculo de dança homônimo do Grupo 1º Ato. O disco é um lançamento do selo de Baleiro, o Saravá Discos.

Semana passada, publiquei uma pequena crítica no Segundo Caderno, que dá uma idéia do que é o CD. Segue:

“Em cada beat, ciranda, samba eletrohypado e xote da trilha de ‘Geraldas e avencas’ (Saravá Discos), Zeca Baleiro abraça e ironiza o universo da beleza fútil. Feitas para o Grupo de Dança 1º Ato, as canções têm o humor e o veneno de costume, com frases de comercial de xampu e rimas de botox com inox.”

Com a palavra, o autor:

O universo da beleza fútil - de passarelas, cosméticos e cirurgias - já é um assunto que te interessa há um tempo e que você já abordou em outras ocasiões. O que te atrai nesse tema?

Acho que a importância descabida à aparência (mais que à beleza propriamente) é sintomático do tempo em que nós vivemos - um tempo de hipocrisia aguda, de valores apenas aparentes, pouco profundos. Acredito que isso possa mesmo definir esta era, sem exageros. Foi por causa de canções como “Salão de beleza” que a Suely Machado, diretora do grupo 1º Ato, me chamou pra trabalharmos juntos.

Quando recebeu o convite para “Geraldas e avencas”, como pensou de cara em desenvolver o tema?

A Suely sabe bem o que quer, já tinha muitas pistas do que seria o espetáculo, coreografias iniciadas, esboços de movimentos em algumas cenas… Assistindo aos ensaios, tomei pé da proposta e fui compondo. Algumas coisas casavam de primeira, outras tiveram de ser adaptadas, outras ainda, compostas a princípio pra uma cena, acabaram por serem utilizadas em outras e assim foi. Usei nos temas muitos compassos ímpares, quebrados, uma alusão musical sutil à imperfeição, à falha e mesmo aos aleijões abordados no espetáculo.

Musicalmente, o CD tem momentos mais leves, outros mais densos, como se você visse os dois lados da moeda dessa beleza - champanhe/antidepressivo, sorrisos públicos/ angústias privadas. É isso? Como você montou a sonoridade da trilha?

A idéia era abordar essa ditadura das aparências sem perder a ternura, a poesia e mesmo a compaixão. Por isso há essa alternância de temas mais irônicos e bem-humorados com outros mais líricos.

Quando você fala de beleza, é claro que não é só beleza que está em questão. Isso faz parte de algo que você acredita ser um compromisso (estético, político, filosófico, escalafobético) do compositor popular hoje (se é que existe compromisso algum compromisso do tipo)?

O compromisso de um artista hoje, isso pra os que têm algum, é dar o testemunho de seu tempo, com as armas que tiver. Quero falar das coisas que acredito nas minhas canções, por isso afinei com o projeto do balé. Temos, eu e a Suely, visões parecidas do mundo. 

Que projeto cabe e que projeto não cabe na Saravá Discos?

Ainda não sei (rs). A princípio, o selo foi feito pra abarcar meus projetos paralelos - trilhas, produções etc. Mas no meio do caminho quis remasterizar dois trabalhos pelos quais tenho muito apreço - “Cabelos de Sansão”, do cearense Tiago Araripe, e “Sinceramente”, último LP de Sérgio Sampaio, dois discos da minha “discoteca afetiva”. Ainda não é um selo com perfil pop, competitivo, mercadológico. Talvez um dia seja, quem sabe.

 

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Depoimento

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

É para sentir nas entranhas e refletir sobre,

Espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro,

Geraldas e Avencas, da coreógrafa Suely Machado com música de Zeca Baleiro,

Grupo Primeiro Ato, de Minas Gerais para a vida inteira.

 

Provocador por exaltar a delicadeza, destacar o belo no imperfeito, o sujeito como si em suas torturas e defeitos num mundo obsecado pela estética, pela forma absoluta e irreparável.O mundo de condenados e prisioneiros da perfeição, do botox, do silicone, do enxerto, da exerese, das plásticas sucessivas e persecutórias, do anseio por paralizar o tempo.

Ave Suely, por louvar as possibilidades invisíveis, as qualidades não aparentes, a aventura que é permitir-se a vida fora dos padrões.

 

Este é um espetáculo para não se perder, para se experimentar, para se gozar das sensações de um balé que olha para o contemporâneo e reflete, na música e na coreografia, com a beleza e a sátira, o surpreendente propósito de uniformizar a desconformidade.

 

Não deixem de ir, não percam esta emoção, a oportunidade de pensar sobre os grilhões invisíveis de nossos tempo pós-pós-modernos.

 

Ainda bem que existe a arte da dança, da coreografia, da subversão, caso contrário, diriam que isso é coisa de homeopatas, destes inconformados com a modernidade e a ciência.

 

Interessante pensar que não somos apenas nós que pensamos, que os pensamentos flutuam e são expressos em diversas formas, que nós temos centemas de milhares de pares na vida, que não somos único e nem vivemos isolados, que o único que nos falta é aceitar existem muitos que se assemelham a nós e que pode ser melhor nos juntarmos aos nossos semelhantes.

 

 

Por Hylton Luz, médico homeopata. RJ

 

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Beijo

terça-feira, 12 de agosto de 2008

 

“Beijo nos olhos… na alma…na carne”. Era assim que o irreverente escritor Nelson Rodrigues terminava as cartas de amor que escrevia para sua mulher, na época em que estava internado no sanatório devido a uma fatal tuberculose. E foi com essa frase também que, em 1999, a Diretora Suely Machado e o coreógrafo Tuca Pinheiro nomearam o espetáculo do Grupo de Dança 1°Ato.

 “Beijo no olhos… Na alma…Na carne” se tornou então um dos espetáculos mais famosos do Grupo, mundialmente reconhecido e elogiado pela crítica em geral. Inspirado na vida e na obra de Nelson Rodrigues, o trabalho que é rico em dramaticidade remete o olhar do público a vários personagens e momentos dos textos e da vida do autor.

Nelson era um romântico, que se autodescrevia “um menino que via o amor pelo buraco da fechadura”. Como um menino, ele tinha uma curiosidade incessante de descobrir tudo, de bisbilhotar os segredos mais profundos do ser humano. O amor que ele via pelo buraco da fechadura não era o mesmo visto na rua, nas praças, em lugares públicos, e sim o amor secreto, feito entre quatro paredes, não ético e não aceito pela sociedade burguesa. Por isso é considerado um escritor tão polêmico, por desmascarar, por apontar e por abordar questões sociais até então reprimidas e ignoradas.     

Em comemoração aos 20 anos de permanência do Grupo, ”Beijo nos olhos… Na alma …Na carne” entra em cartaz numa nova temporada,  juntamente com os espetáculo “Geraldas e Avencas” e “Mundo Perfumado”, nos Teatros Sesiminas de BH e Contagem, nos meses de agosto e setembro. Confira na nossa agenda.

 

Luciana Lanza

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Trilha de Baleiro para balé é lançada em SMD

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Matéria retirada do blog Notas Musicais do jornalista Mauro Ferreira

Enquanto espera para lançar o primeiro dos dois volumes do álbum de inéditas O Coração do Homem-Bomba, adiado para 22 de agosto depois de ter sido anunciado para 25 de julho pela MZA Music, Zeca Baleiro aposta no ascendente formato econômico do SMD (Semi Metalic Disc) para editar a trilha sonora que compôs para o 14º espetáculo do Grupo de Dança Primeiro Ato, Geraldas e Avencas, que estreou em setembro de 2007, em Belo Horizonte (MG), cidade natal da companhia, e atualmente está em turnê pelas principais capitais brasileiras. A trilha de Baleiro para o balé é composta por dez temas. Desfile abre o SMD com ambiência eletrônica. Dez Passos se pauta por suingue mais brasileiro. Por um Fio incorpora elementos de flamenco. Quem Não Samba Chora (uma das faixas cantadas), Xote do Edifício, Flor no Quintal e Turbinada (em cuja letra Baleiro alfineta com verve afiada a obsessão feminina por botox e cirurgias plásticas) são alguns dos 14 temas da boa trilha sonora, editada pelo selo do artista, Saravá Discos, e vendida a R$ 5, como é regra no mercado de SMD. O preço aparece, a propósito, estampado na capa do SMD.

 

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