O que falam...

Gotham City e Polika

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O espetáculo que apresentaremos esse fim de semana no Teatro Brasília, “Isso Aqui não é Gotham City”, foi um verdadeiro marco na história do Grupo de Dança 1ºAto. Essa parceria com Paulinho Polika, a convite de Suely Machado, fincou raízes fortes na personalidade do Grupo, como o uso da mímica e do gesto, a parcela de comicidade em toda tristeza e a ousadia de falar com a dança.

Saiba um pouco mais sobre o amigo e artista Paulinho Polika:

 

Trecho retirado da Matéria do Jornal Pampulha. Por Júlia Guimarães

Foto: Charles Silva Duarte

Foto: Charles Silva Duarte

“Ator, diretor, bonequeiro e artista plástico, Paulinho Polika é uma das figuras que melhor sintetiza a história das artes cênicas na cidade. Sempre em trânsito por diversas linguagens, Polika esteve presente nos primórdios do Grupo Galpão, atuou no Giramundo Teatro de Bonecos, dirigiu espetáculos do Grupo de Dança 1º Ato e semeou o nascimento do Teatro Armatrux - quatro grandes referências da área na capital.

Mas foi a família que, naturalmente, o empurrou para o universo criativo: além de ter crescido ouvindo o pai tocar acordeão e contar histórias, desde criança Polika já enchia o varal da mãe com bonecos de papel machê, construídos por ele e o irmão mais velho. Formado em artes plásticas pela UEMG e teatro pela Fundação Clóvis Salgado - Palácio das Artes, o bonequeiro também deu aulas de arte durante muitos anos e chegou inclusive a abrir sua própria escola: a Tangran.

 

 

Atualmente, Polika tem transitado por praças e parques da cidade com “Sonho de uma Noite de São João”, seu trabalho mais recente.(…)”

Não percam dias 13, 14 e 15 de novembro “Isso Aqui Não é Gotham City” no Teatro Brasília.

 

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Teatro Brasília

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Nos dias 13, 14 e 15 de novembro, através da parceria com a Plena Transmissoras,  apresentaremos o espetáculo  “Isso Aqui Não é Gotham City”, baseado em personagens das histórias em quadrinhos, numa parceria de Suely Machado com Paulinho Polika. As apresentações acontecerão noTeatro Brasília – DF, um espaço diferente e moderno construído dentro de um hotel.

teatro-brasilia4Todas as grandes metrópoles do mundo possuem bons teatros em importantes hotéis. Pensando nisso, e na necessidade de diversificar os espaços culturais da cidade, o Instituto Alvorada Cultural assumiu a administração do teatro do Complexo Golden Tulip Brasília Alvorada Hotel. “Para presentear a cidade pelo cinquentenário, resolvemos batizar o espaço de Teatro Brasília”, diz Francisco Almeida, diretor do Instituto.

As apresentações acontecerão ás 21h e os ingressos podem ser comprados pelo telefone 4003-2330, na bilheteria do teatro, nos stands das Americanas.com, nos shoppings Patio Brasil, Terraço Shopping e Park Shopping ou pelo site www.ingresso.com.

Não percam e levem as crianças!

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Visita de Rose Akras

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

rose-akras-similitude1

Algumas semanas atrás a bailarina e pesquisadora de dança Rose Akras esteve presente no Grupo 1ºAto a convite de Suely Machado. Na visita a artista trouxe para o Grupo novas pesquisas e questões sobre o corpo e a mente do bailarino-criador. Apesar de já morar em Amsterdam por algum tempo, atuando como bailarina e professora do departamento de Licenciatura na Faculdade de Dança, Rose Akras não perde seu contato com a arte e com os artistas do Brasil. A artista começou cedo sua relação com a dança, e aos 17anos iniciou sua profissionalização em escolas e instituições importantes como Rambert School of Ballet em Londres, além de cursos em NY. Fez parte da Cia José Limón, trabalhou com Célia Gouveia e fundou Grupo Marzipan com outros bailarinos. Teve grandes mestres como Maria Melo ( ballet/SP), Sonia Motta ( modeno/SP), Ruth Currier e Carla Maxwell ( Limón/NY), David Zambrano( flying low/Amsterdam), Trude Cone e Cathie Caraker ( Body Mind Centering e processos criativos em dança/AMS), Donald Fleming e Ria Higler ( improvisação/ AMS), Jacques van Eijden e inúmeros outros no Somatic Movement Training em Amsterdam.

Confira abaixo a entrevista que carinhosamente Rose Akras nos concedeu, falando um pouco mais sobre seu trabalho:

1ºAto: Conte sobre seu estudo dos Movimentos Somáticos.

Rose: Depois de descobrir tantas possibilidades novas através da mistura de linhas somáticas e aulas de dança, resolvi fazer o curso do Institute for Somatic Movement Studies. Acho uma pena só ter entrado em contato com estes caminhos no final da minha carreira como bailarina mas, sinto-me feliz de poder passar o que aprendi para os mais jovens. É ótimo ver que a turma de hoje já recebe estas informações mais cedo. O mais valioso que aprendi com somatics é que todo o corpo participa de nossos movimentos, não só músculos e ossos, mas também o estômago, intestino, fígado, fluidos etc. Aprendi também a ver a força da gravidade como uma aliada, e não uma inimiga, o que muda completamente o tônus da musculatura facilitando desde uma mudança brusca de planos (quedas) até um simples salto. Além disto, poder entender que a qualidade de movimento está ligada a maneira que utilizamos o corpo, sua anatomia e fisiologia, me trouxe dinâmicas novas que antes eram muito difíceis para meu corpo, pois tentava fazer tudo “ só” com a força muscular. Por último, através deste trabalho consegui perceber como mudar meu padrão de movimento e perceber o suporte interno (órgãos) para minha coluna e assim me livrar da dor e poder movimentar minha coluna com mais liberdade. Ou seja, tanto para a criatividade como para prevenção de problemas, acredito que o Movimento Somático só tem a acrescentar para qualquer pessoa que trabalhe com artes cênicas em geral.

1ºAto: Fale sobre a proposta do curso que você desenvolveu com o Grupo 1ºAto.

Rose: Bom, depois de muitos anos dando aulas sobre como usar a fisiologia e anatomia no movimento, comecei a pensar num curso mais voltado ao bailarino criador como indivíduo. Como poder ajudar este bailarino se reconhecer como tendo uma assinatura própria e posteriormente dar condições para que novos acentos apareçam nesta assinatura. Sem dúvida, é ótimo fazer estas aulas quando já se tem uma noção de movimento somático, mas pensei num curso que mesmo sem ter estas informações, qualquer bailarino pudesse fazer e crescer. Sem dúvida, existe um fundamento somático neste curso também, primeiro reconhecer e assumir (seus padrões ou qualidades de movimento), para depois acrescentar e transformar.

1ºAto: Quais são seus próximos planos. Nova criação, pesquisas, curso…

Rose: Na semana passada dei um workshop para estudantes de Arquitetura e paisagismo e foi muitíssimo interessante estar em contato com outras linguagens e ver qual seria a influência da minha aula no projeto que estes alunos tiveram de apresentar no fim do curso. Nesta semana, começam as aulas na faculdade de dança e darei também aulas para estudantes do curso de Teatro. Na semana que vem, estarei “ performando” no trabalho de um coreógrafo ( apesar dele ter estudado mímica), David Weber Krebs, que está sendo um processo interessante, estou aprendendo muito sobre como trabalhar com grandes grupos. Somos umas 50 pessoas em cena, muitos amadores e alguns profissionais no meio. Paralelamente a isto, continuo com planos de ficar um tempo no Brasil, gostaria de coreografar de novo para bailarino, faz tempo que não faço isto. Adoraria trabalhar com pessoas como vocês com tantas qualidades diferentes e interessantes. Quem sabe? Além de tudo isto, continuo me inteirando do mundo das Artes Plásticas, através de pessoas desta área que façam live performamce. Também muito interessante quando o corpo está presente, mas o movimento ou a narrativa não sejam o fundamento principal.

Por enquanto é isto, obrigada pela oportunidade!

Rose Akras

Nós que agradecemos, Rose, e muito!

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Poesia recifense

terça-feira, 21 de julho de 2009

Durante a passagem do Grupo por Recife, reencontramos vários amigos que abrilhantaram nossas noites e nos presentearam com muito carinho. Beijo para todos!

Obrigado

Boa noite, boa noite

obrigado por terem vindo

assim começa uma viagem

incomum, sem passagem,

ao mundo do inconstante,

mutável a cada instante

no desequilíbrio do gesto

onde o criar é manifesto

no desconstruir o formal

É o desabrochar do genial

do criador ante criatura

numa inusitada mistura

que confunde, que surpreende

mas que todo entende

que sempre há algo insano

em cada um cotidiano

isso o improvável nos ensina

quando o inusitado é rotina,

e temos em fim, como encarte,

o estado puro da arte

Ah! Que espetáculo lindo

Quem diz obrigado, obrigado

somos nós, por vocês terem vindo

Milton Anhaia

Recife, 17 de maio de 2009

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Grupo de dança 1º Ato inicia temporada de Geraldas e avencas

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O público mineiro poderá conferir novamente um dos maiores sucessos do Grupo de Dança 1° Ato. Trata-se do espetáculo Geraldas e avencas, que volta aos palcos do Sesiminas amanhã, sexta-feira, sábado e domingo provocando uma reflexão bastante pertinente nos dias de hoje: o conceito de belo e como as pessoas se submetem aos excessos para se enquadrarem em parâmetros convencionais.

O espetáculo inspirou o mais recente projeto do grupo mineiro, um vídeo-dança interativo – em formato de vídeo-game, que será lançado ainda este ano. A empreitada é fruto do Prêmio Estímulo do Fundo Estadual de Cultura 2008 e será realizada com a colaboração de Tatu Guerra e Chico de Paula.

REFLEXÃO

Geraldas e avencas mostra a plastificação e a padronização da estética, que gera descaracterização e expectativa de perfeição que muitas vezes mutila, agride e provoca deformações. “Hoje, as pessoas retiram marcas que as revelam e trocam por outras que as mascaram”, reflete Suely Machado, diretora do grupo e responsável pela concepção, coreografia e direção da obra.

Como os trabalhos anteriores do grupo, este também nasce de uma busca por movimentos próprios, genuínos, extraídos dos corpos e das experiências individuais de cada envolvido na obra – sem amarras com quaisquer tendências ou padrões ligados à dança. O resultado é uma montagem leve, sensível e rica em sentido. A trilha sonora original é de Zeca Baleiro e mescla canções e música instrumental.

GERALDAS E AVENCAS
Dias 23, às 16h e 21h; 24, às 16h e 21h; 25, às 21h e 26, às 19h.
Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60 – Santa Efigênia) Ingressos a R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira).
Informações (31) 3241-7181

Origem: www.uai.com.br

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Dia internacional da Dança

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Dia Internacional da Dança vem sendo celebrado no dia 29 de abril, promovido pelo Conselho Internacional de Dança (CID), uma organização interna da UNESCO para todos tipos de dança.
A comemoração foi introduzida em 1982 pelo Comitê Internacional da Dança da UNESCO. A data comemora o nascimento de Jean-Georges Noverre (1727-1810), o criador do balé moderno.
Entre os objetivos do Dia da Dança estão o aumento da atenção pela importância da dança entre o público geral, assim como incentivar governos de todo o mundo para fornecerem um local próprio para dança em todos sistemas de educação, do ensino infantil ao superior.
Enquanto a dança tem sido uma parte integral da cultura humana através de sua história, não é prioridade oficial no mundo. Em particular, o prof. Alkis Raftis, então presidente do Conselho Internacional de Dança, disse em seu discurso em 2003 que “em mais da metade dos 200 países no mundo, a dança não aparece em textos legais (para melhor ou para pior!). Não há fundos no orçamento do Estado alocados para o apoio a este tipo de arte. Não há educação da dança, seja privada ou pública”.
O foco do Dia da Dança está na educação infantil. O CID alerta os estabelecimentos que contatem o seu Ministério da Educação com as propostas para celebrar este dia em todas escolas, escrevendo redações sobre dança, desenhando imagens de dança, dançando em ruas, etc. Enfim, manifestando em crianças e consequentemente nos adultos, a vontade e importância da dança arte na vida do ser humano
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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‘Beijo nos Olhos…’ em BH

domingo, 15 de fevereiro de 2009

“… Dorotéia, Zulmira, Misael, Senhorinha, Décio, Nono, Boca de Ouro, Oswaldinho, Virginia, Arandir, Timbira, Geni, Olegário, Alaíde, Amado, Ribeiro, dr. Werneck, Leleco, Guida, Paulo, Serginho, Glorinha, …Nelson! Realidade ou ficção? Memória ou alucinação? Simplesmente Nelson! A paixão que (des)norteia… O desafio: esculpir no corpo de cada bailarino os conflitos e os gritos de seres que desconhecem limites e caminham, iluminados e belos, para o abismo; transformar radiografias tão peculiares do cotidiano brasileiro na linguagem universal do movimento”.

O texto acima foi escrito em Paris, no outono de 1997, pelo coreógrafo Tuca Pinheiro, que mais de dez anos depois, traz o texto para a cena em “Beijo nos Olhos… Na Alma… Na Carne…”, obra coreográfica do Grupo de Dança Primeiro Ato, de Belo Horizonte, que estréia o trabalho no dia 17 de fevereiro, às 21h, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. O grupo planeja uma temporada do espetáculo em São Paulo, ainda este ano.

“As parcerias sempre foram muito importantes em minha vida, muito antes do modismo da palavra. As crenças, a fé, a infância, o contato com o homem, o estudo do seu pensar, a dança, o envolvimento com os bailarinos, a divisão de trabalho, a troca com o público, e finalmente a felicidade de ter o meu país como parceiro, por meio daquele, que foi um brasileiro na íntegra, por ter tido a coragem de nos retratar, no osso, sem batom, beijando nossas realidades”, fala Suely Machado, diretora da companhia, sobre a inspiração de Pinheiro, em Nelson Rodrigues.

Inspirado na apaixonante vida e obra de Rodrigues o trabalho traz consigo algo além do prazer. “A montagem desenha no corpo essa dramaturgia do conflito, do desvio, que é rica em sentido com lirismo e paixão. Temos a oportunidade de devolver ao país, por meio da dança, uma fagulha do sentimento de seu povo, as tramas de suas paixões, homenageando o homem e enaltecendo a natureza, através da liberdade do tempo”, fala a diretora.

Em “Beijo nos Olhos… Na Alma… Na Carne…” atuam Alex Dias, Ana Virgínia Guimarães, Cibele Maia, Danny Maia, Júnio Nery, Lucas Resende, Luciana Lanza, Marcela Rosa e Thiago Oliveira. O trabalho tem duração de uma hora e dez minutos.

Esta matéria foi tirada do blog Tudo é Dança da bailarina e jornalista Marcela Benegnu , no endereço http://tudoedanca.blogspot.com/

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1º Ato completa 20 anos com retrospectiva

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Por Sérgio Rodrigues Reis - Jornal Estado de Minas, caderno EM Cultura.

Aos 20 anos, o Grupo de Dança 1º Ato pode ser resumido a um ato de resistência. Ou melhor, de sobrevivência. “Foi preciso força além da natural para continuar, mas foi prazeroso também. Comparo a uma escolha de vida”, resume a diretora Suely Machado. Com performance peculiar nos palcos do país, a companhia conseguiu imprimir sua marca na dança nessas duas décadas: o gesto nasce do cotidiano, já as coreografias surgem em diálogo com outras manifestações, como o teatro, circo e artes plásticas, sempre inspiradas na experiência pessoal dos bailarinos. Não raras vezes eles assinam em processo colaborativo os espetáculos. A fase atual é de comemoração. Até o fim do ano, quatro dos grandes sucessos da companhia voltam à cena: Beijo nos olhos…na alma…na carne, Mundo perfumado, Geraldas e avencas e Isso aqui não é Gotham City. Cada um à sua maneira, ajuda a entender uma gramática gestual singular.

 

Leia a matéria completa aqui.

 

 

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Zeca fala sobre a trilha de Geraldas e Avencas

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Matéria retirada do O Globo on line/blogs, por Leonardo Lichote.

Zeca Baleiro: ‘Vivemos a era da aparência’

Prestes a lançar “O coração do homem-bomba” (seu primeiro CD de inéditas desde “Baladas do asfalto & outros blues”, de 2005), Zeca Baleiro solta um belo aperitivo para os fãs. Não me refiro a “Toca Raul”, faixa do próximo disco já disponível para download no site oficial do homem, e sim à “Geraldas e avencas”, trilha sonora do espetáculo de dança homônimo do Grupo 1º Ato. O disco é um lançamento do selo de Baleiro, o Saravá Discos.

Semana passada, publiquei uma pequena crítica no Segundo Caderno, que dá uma idéia do que é o CD. Segue:

“Em cada beat, ciranda, samba eletrohypado e xote da trilha de ‘Geraldas e avencas’ (Saravá Discos), Zeca Baleiro abraça e ironiza o universo da beleza fútil. Feitas para o Grupo de Dança 1º Ato, as canções têm o humor e o veneno de costume, com frases de comercial de xampu e rimas de botox com inox.”

Com a palavra, o autor:

O universo da beleza fútil - de passarelas, cosméticos e cirurgias - já é um assunto que te interessa há um tempo e que você já abordou em outras ocasiões. O que te atrai nesse tema?

Acho que a importância descabida à aparência (mais que à beleza propriamente) é sintomático do tempo em que nós vivemos - um tempo de hipocrisia aguda, de valores apenas aparentes, pouco profundos. Acredito que isso possa mesmo definir esta era, sem exageros. Foi por causa de canções como “Salão de beleza” que a Suely Machado, diretora do grupo 1º Ato, me chamou pra trabalharmos juntos.

Quando recebeu o convite para “Geraldas e avencas”, como pensou de cara em desenvolver o tema?

A Suely sabe bem o que quer, já tinha muitas pistas do que seria o espetáculo, coreografias iniciadas, esboços de movimentos em algumas cenas… Assistindo aos ensaios, tomei pé da proposta e fui compondo. Algumas coisas casavam de primeira, outras tiveram de ser adaptadas, outras ainda, compostas a princípio pra uma cena, acabaram por serem utilizadas em outras e assim foi. Usei nos temas muitos compassos ímpares, quebrados, uma alusão musical sutil à imperfeição, à falha e mesmo aos aleijões abordados no espetáculo.

Musicalmente, o CD tem momentos mais leves, outros mais densos, como se você visse os dois lados da moeda dessa beleza - champanhe/antidepressivo, sorrisos públicos/ angústias privadas. É isso? Como você montou a sonoridade da trilha?

A idéia era abordar essa ditadura das aparências sem perder a ternura, a poesia e mesmo a compaixão. Por isso há essa alternância de temas mais irônicos e bem-humorados com outros mais líricos.

Quando você fala de beleza, é claro que não é só beleza que está em questão. Isso faz parte de algo que você acredita ser um compromisso (estético, político, filosófico, escalafobético) do compositor popular hoje (se é que existe compromisso algum compromisso do tipo)?

O compromisso de um artista hoje, isso pra os que têm algum, é dar o testemunho de seu tempo, com as armas que tiver. Quero falar das coisas que acredito nas minhas canções, por isso afinei com o projeto do balé. Temos, eu e a Suely, visões parecidas do mundo. 

Que projeto cabe e que projeto não cabe na Saravá Discos?

Ainda não sei (rs). A princípio, o selo foi feito pra abarcar meus projetos paralelos - trilhas, produções etc. Mas no meio do caminho quis remasterizar dois trabalhos pelos quais tenho muito apreço - “Cabelos de Sansão”, do cearense Tiago Araripe, e “Sinceramente”, último LP de Sérgio Sampaio, dois discos da minha “discoteca afetiva”. Ainda não é um selo com perfil pop, competitivo, mercadológico. Talvez um dia seja, quem sabe.

 

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Depoimento

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

É para sentir nas entranhas e refletir sobre,

Espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro,

Geraldas e Avencas, da coreógrafa Suely Machado com música de Zeca Baleiro,

Grupo Primeiro Ato, de Minas Gerais para a vida inteira.

 

Provocador por exaltar a delicadeza, destacar o belo no imperfeito, o sujeito como si em suas torturas e defeitos num mundo obsecado pela estética, pela forma absoluta e irreparável.O mundo de condenados e prisioneiros da perfeição, do botox, do silicone, do enxerto, da exerese, das plásticas sucessivas e persecutórias, do anseio por paralizar o tempo.

Ave Suely, por louvar as possibilidades invisíveis, as qualidades não aparentes, a aventura que é permitir-se a vida fora dos padrões.

 

Este é um espetáculo para não se perder, para se experimentar, para se gozar das sensações de um balé que olha para o contemporâneo e reflete, na música e na coreografia, com a beleza e a sátira, o surpreendente propósito de uniformizar a desconformidade.

 

Não deixem de ir, não percam esta emoção, a oportunidade de pensar sobre os grilhões invisíveis de nossos tempo pós-pós-modernos.

 

Ainda bem que existe a arte da dança, da coreografia, da subversão, caso contrário, diriam que isso é coisa de homeopatas, destes inconformados com a modernidade e a ciência.

 

Interessante pensar que não somos apenas nós que pensamos, que os pensamentos flutuam e são expressos em diversas formas, que nós temos centemas de milhares de pares na vida, que não somos único e nem vivemos isolados, que o único que nos falta é aceitar existem muitos que se assemelham a nós e que pode ser melhor nos juntarmos aos nossos semelhantes.

 

 

Por Hylton Luz, médico homeopata. RJ

 

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